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terça-feira, 28 de abril de 2009

dois versos sem rima.

caminhar em dias nublados
é melhor do que prozac.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

insônia.

podem esperar: a maioria das postagens aqui escritas são frutos de noites insones.

enlouquecimento não-planejado.

às vezes eu acho que vou enlouquecer de vez. Não que eu seja lá muito normal, mas às vezes isso parece que vai escapar do meu controle. Não consigo dormir, não consigo me focar em um livro para ler (pego 5 ao mesmo tempo e não consigo passar de 2 ou 3 linhas em cada um), não consigo formular pensamentos coerentes. Sou um pseudo-escritor de merda: a melhor definição a mim conferida foi dada exatamente pelo pior dos proto-amigos que um dia acreditei ter. Ele deu uma facada incrivelmente sutil em minhas costas, mas me deu a melhor descrição de mim mesmo: pseudo-escritor de merda. Sabe por quê? Porque eu sou uma criança. Uma criança birrenta e mimada que acha que pode escrever um livro cujo personagem principal é Tânatos, ou A Morte, e quando se depara com o cheiro putrefato de sua mortalha negra e percebe relances do brilho de sua foice não consegue fazer nada além de se encolher em um canto implorando por carinho e atenção. (Adendo: esse post não tem parágrafos. É uma enxurrada de pensamentos que vão me ocorrendo, não dá pra organizá-los. Desculpe.) Meu pé prendeu na porta e eu passei um remédio chamado Reparil. Engraçado que, mesmo em meio a tudo isso, o trocadilho "puta que Reparil" não sai da minha cabeça. Mas hoje não é um bom dia para piadas, todas as que eu faço soam sem-graça. Eu não queria ter perdido a cabeça com ela, eu não queria ter descontado minhas angústias na pessoa que eu mais amo. Me sinto tão culpado, além de tudo. Mudando de pessoa, eu não quero que ela morra. Ela vai morrer, óbvio, todos os velhos morrem um dia - e os novos também -, mas a Morte parece uma coisa muito legal quando não está rondando as proximidades. Eu não quero vê-la, eu não quero que ela esqueça quem eu sou. Eu não quero que ela morra sem se lembrar de mim. Eu quero que ela saiba que eu a amo muito, por incrível que pareça. Mas eu não quero vê-la. Não iria agüentar a lúgubre presença pairando sobre sua cabeça. Não iria agüentar ver a semi-senilidade em seus olhos. Isso rasgaria minha mente como uma lâmina enferrujada. Ela não merece uma morte assim. Ela não merece morrer. Eu sou uma criança mimada que não sabe encarar a morte. E desconta em quem ama. Só queria que entendessem que eu não sou um neto relapso e sim uma criança amedrontada. No fundo é isso o que eu sou: uma criança. Não consigo dormir, mas isso já é normal.
Não queria ter magoado-a. Tudo o que eu queria era meu porto seguro. Minha bóia.
Quero me esconder debaixo da mesa em posição fetal e esperar amanhecer. E eu não estou brincando. Quero ela aqui, para eu poder me desculpar, para que ela possa afagar-me os cabelos e encostar seus lábios úmidos e macios nos meus, para que ela diga que me ama e que tudo vai ficar bem.
No fim, tudo fica bem, não é?
Mas isso não impede as avós de morrerem sem memória.