domingo, 15 de novembro de 2009

A Inacreditável Trajetória do Garoto Que Aprendeu a Voar (ou: Não Sou Ícaro, mas Quero Tentar)

Era uma vez um garotinho
que aprendeu como voar
Mas cortaram suas asinhas
E mandaram-no acordar

Era uma vez um rapazinho
Que nadava pelo céu
Passeava pelas nuvens
Com suas asas de papel

Esse esperto menininho
Deslizava pelo ar
Protegia-se de tudo
Ao fugir para voar

Era uma vez um garotinho
Que voava por prazer
Mas quebraram suas asas
E mandaram-no crescer

Era uma vez belo menino
Que voava pelo céu
Destroçaram suas asas
Que eram feitas de papel

(Era uma vez um rapaz
Que sabia voar
Um dia, a vida cortou-lhe as asinhas
Despencou)

Foi-se um dia um garotinho
Que perdera suas asas
Não voava, não vivia
Sua vida enclausurada

Foi-se um dia um garotinho
Que acordou um belo dia
Sem ter asas, sem ter sonhos
Estava morta a fantasia

Foi-se um dia, tal menino
Que pensou em escapar
Fitava o mundo lá fora
E acordado, punha-se a sonhar

Era uma vez um menino
Que decidiu fugir de casa
Estava disposto a voar
Mesmo sem ter suas asas

Era uma vez um garotinho
Que entrou num arranha-céu
E subiu pelas escadas
Até o terraço do hotel

(Olhos fechados
Asas cortadas
E dentro de si
Todos os sonhos contidos)

Era uma vez um garotinho
Parado no topo do mundo
Abriu os braços, sorrindo
Regozijando-se a cada segundo

Era uma vez um garotinho
Que lembrou como voar
Atirou-se, destemido
Flutuou em pleno ar

(Imagine um garotinho
Em todo seu esplendor
Só existe o céu azul
E as nuvens
As nuvens
Nada mais)

Era uma vez um garoto
Com sonhos recuperados
Seu corpo sem asas caiu
Mas sua alma alada voou
E voou para longe
E voou para sempre
E voou
Feliz
Em sonhos

Me pergunto, garotinho
Que importa, afinal:
Minhas asas mutiladas
Ou meu sonho imortal?

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